domingo, 29 de setembro de 2013

vem como um carnaval

Isso das pessoas se esbarrarem só pode ser a má vontade fantasiada de destino.
Veio como um solavanco e me disse tudo só com a existência.
Algumas pessoas nascem e esse é o meu problema com elas.
Fico presa nesses surtos de compreensão, que me fazem compreender sempre algo novo, diferente e divergente da compreensão anterior.
Talvez por essas coisas todas eu tenha sempre me esquivado das decisões.
O que ela quer comigo? Por que veio até aqui?
E então me dou conta de que ela nem veio até aqui, porque já nem era aqui que eu mesma estava. Estava lá, passeando no mundo alheio, cheia de dúvidas palavrinhas condicionais.
Será que?
Depois que passa essa exaltação ao conhecimento, depois que se mata a sede, é possível ainda preferir reservas água ao invés de um copo de cerveja bem gelada? ... Penso que talvez mude algo saber que vou desejar toda a reserva dde água quando a ressaca chegar.
Mas continuo olhando pro copo, que parece me ofuscar.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Sem

Sinto muito, mas estou de passagem. Aqui não posso mais ficar, sigo em frente, sua vida é pequena e eu preciso de mais espaço. Vou me espalhar, sinto muito. Muitos mundos, pessoas. Ainda restam bandeiras a fincar. Sinto muito. Muito e não sei explicar.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Duas pessoas

De repente eu vi a possibilidade de que o amor não seja um sentimento só... Mais ou menos como um daqueles compostos químicos que só existe combinado com outros e, quando você separa, se transforma em outra coisa. Ou como o funcionamento de um órgão, que depende do funcionamento dos outros.
Não é um sentimento só, é um aglomerado de pequenas sensações inexplicáveis, coisas sem nome, que se juntam a outros sentimentos bons e ruins e tornam a coisa toda muito única. É única e independente também, tem sua existência desvinculada do ser por quem se sente amor.
Amor também é mutável, rapidamente se torna outra coisa quando, por qualquer motivo, torna-se um sentimento inútil, não passível de doação. Como quando guardamos em uma caixa fechada algo que só fica bonito sob a luz do sol. Nesse caso, amor vira também uma dor terrível, indicando que só se pode respirar quando o amor é doado para o mundo e que preso ele é auto-destrutivo e também destrutivo.

Amar é aquilo que consegue ser a coisa mais maravilhosa e ao mesmo tempo a mais difícil. Depois que existe amor, é impossível que ele não exista mais e um ser se torna completamente dependente das atitudes de outro. Não existe perigo maior no mundo. Se alguém descobrisse uma arma feita de amor, isso seria pior do que uma arma nuclear. Ainda assim, com todos os seus truques, o amor encanta e aprisiona em uma teia de liberdade feita de ilusões. Então, não existe sequer uma escolha senão amar...

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Teu

Fui
a mando, amando.
amando a mando.
a mando amando.
amando, a mando

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

nova-mente

Segue assim: pra cada ciclo fechado, um período de adaptação nostálgica.
Não são símbolos que podem tornar concretos todo esse fluxo de corrente cerebral. Um fluxo que segue pelo emaranhado de caminhos dentro de mim, formando pensamentos, proliferando sentimentos, sensações. Tenho agora certeza de que muitos elétrons erram o caminho quando implusos de tensão surgem involuntariamente em alguns pontos. Outros deles são quânticos e vão para dois lugares ao mesmo tempo... É isso. Só pode ser isso. É isso que causa essa enorme confusão entre o querer, o dever, o querer querer, o desprezar, o conseguir.

E é sempre assim, ajusto os caminhos, controlo os impulsos e a vida flui leve e determinística, simples e alegre. Até que o ciclo se fecha novamente e novos emaranhados confundem passado, memória, saudosismo, presente...

Trabalho árduo.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Aposentamento

Hoje eu me permiti pensar com palavras, sem verdadeiramente precisar dizê-las. Tenho vivido ocupada, mas não com afazeres, trabalho, compromissos, check lists. Não que eu não tenha o que fazer, não que não tenha trabalho, não que não tenha listas enormes a seguir. Mas venho vivendo ocupada demais com as minhas criações fantásticas, que me permitem encontrar o sossego distanciado de algumas verdades.
Então, hoje eu me permiti pensar com palavras, confrontar-me com certas verdades.
Ficou claro que tenho mentido com mantras inacabáveis. Eu me enganei na inocência do suspiro ofegante. Quando, já sem forças pra entender tantos erros passados, preciso ainda lidar com a recorrência de falhas, atitudes egoístas, decisões medíocres.
A verdade simples e deslavada é que meus sentimentos contradizem minhas vontades. Eu não me deparo com sentimentos mais nobres... São sentimentos atordoados, falhos... Por que negar a mim mesma sinceridade?
Não existe um só caminho que pareça fácil entre as opções impostas pela ausência de um amor. Nessas idas e vindas eu me dei conta de que é isso movendo o mundo: histórias de amor... Amores não vividos, amores mal resolvidos, amores inacabados, e os piores: amores acabados. Cada um com sua "pior dor".
E eu aqui me escondendo dessa verdade... A de que é isso que vivo diariamente, essa dor de amor, dor de amar, de não ter.
Em determinado ponto todos os sentimentos se misturam muito... E você já nem sabe o que é amor, o que é saudade, o que é saudosismo, o que é orgulho, o que é frustração, o que é decepção, o que é ciúme, o que é desejo, o que é mimo, o que é vontade, o que é presente, o que é ilusão...
Hoje eu voltei aqui em busca de alguma verdade. Vou acabar sem cerimônias, sem conclusões, porque não finda esse vazio que me espeta como as esporas a um cavalo. Não finda o vazio e como o cavalo eu obedeço seu comando, inquieta, galopando sem saber aonde ele me guia... na esperança de que ele guie.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

vento, ventania...

Quanto me preenche essa saudade? Essa saudade de saber, de certeza... Dos dias em que fui plural e que passavam leves todos os segundos. Não me arrastava o tempo, nem eu a ele. Não carregava o tempo como fardo, a cada instante superando-se essa saudade.

E descobri assim que o amor e a saudade movem a tudo. Hoje acordei com a paz trazida pelo vento que um dia te tocou também... É tudo isso que quero. Tudo é o que quero? É isso mesmo?

É... quero não querer, mas ainda assim quero. E agora quero com calma, sem desespero. Respirando e adorando o vento. E sendo consumida por uma felicidade que transborda. E a saudade permanece, sóbria... Com aquela sobriedade que sempre nos foi tão óbvia.

É assim mesmo... Preenche essa saudade, sem vazios. Saudade doce, de ter amado e possuído. Saudade porque amo e não possuo, mas admiro. Doce. Sereno. Sóbrio. Bonito...